Durante o crescimento acelerado da adolescência, pequenas alterações na coluna, como a escoliose, podem evoluir silenciosamente. Embora muitas curvas permaneçam estáveis ao longo do crescimento, outras podem progredir rapidamente, tornando essencial reconhecer os sinais de alerta e saber quando procurar avaliação especializada.
É precisamente por isso que muitos pais colocam a mesma questão: será suficiente vigiar ou é altura de procurar ajuda especializada?
A resposta depende de vários fatores, nomeadamente do grau da curvatura, da sua evolução ao longo do tempo e do potencial de crescimento do adolescente. Compreender estes aspetos permite atuar no momento mais adequado e aumentar a probabilidade de um tratamento conservador eficaz, sempre que indicado.
Porque é que a adolescência é uma fase tão importante na escoliose?
Durante a adolescência, a coluna cresce rapidamente. Se existir uma escoliose idiopática, esta pode manter-se estável ou progredir de forma significativa durante os chamados “picos de crescimento”. Como muitas vezes não existe dor, a evolução pode passar despercebida durante meses. Por isso, a vigilância clínica assume um papel essencial.
Na prática clínica, é frequente observar adolescentes cuja escoliose permanece estável durante todo o crescimento, enquanto outros apresentam uma progressão relativamente rápida. Esta imprevisibilidade reforça a importância de uma monitorização adequada, permitindo identificar precocemente alterações que possam justificar uma intervenção.
Sinais de escoliose nos adolescentes que merecem atenção
Existem alterações simples que podem ser observadas em casa e que justificam uma avaliação clínica:
- Um ombro mais alto do que o outro.
- Assimetria da cintura.
- Uma omoplata mais saliente.
- Inclinação do tronco.
- Uma anca aparentemente mais elevada.
- Saliência de um dos lados das costas ao inclinar o tronco para a frente (teste de Adams).
O teste de Adams é frequentemente utilizado como rastreio, mas não permite confirmar o diagnóstico. Sempre que exista suspeita, o adolescente deverá ser observado por um profissional com experiência na avaliação da escoliose.
Quando vigiar e quando avançar para avaliação?
Nem todas as pessoas com escoliose necessitam de tratamento imediato. Em curvaturas ligeiras, sem sinais de progressão e em adolescentes devidamente acompanhados, a vigilância periódica pode ser a abordagem mais adequada.
Habitualmente, esta estratégia é considerada quando:
- A curvatura é ligeira;
- Não existem alterações rápidas entre avaliações;
- O adolescente mantém boa função e qualidade de movimento;
- Existe acompanhamento regular.
Por outro lado, a avaliação especializada torna-se particularmente importante quando:
- A curvatura aumenta entre avaliações;
- Surgem alterações posturais mais evidentes;
- Existe crescimento acelerado;
- Há recomendação do pediatra ou ortopedista;
- Existem dúvidas sobre o risco de progressão.
Nestes casos, uma avaliação detalhada permite perceber não apenas o grau da curvatura, mas também o comportamento da coluna e o potencial de evolução.
Porque é importante a escoliose ser acompanhada?
Quando existe risco de progressão, o acompanhamento regular permite identificar alterações numa fase precoce e ajustar a abordagem clínica no momento mais adequado.
Um seguimento especializado não significa necessariamente que será preciso iniciar tratamento. Significa, acima de tudo, que as decisões são tomadas com base na evolução da curvatura, no potencial de crescimento e nas necessidades específicas de cada adolescente, evitando tanto intervenções desnecessárias como atrasos quando estas se tornam indicadas.
Como é feita uma avaliação especializada da escoliose?
Uma avaliação completa vai muito além da simples observação da postura. Para compreender verdadeiramente o comportamento da escoliose, é necessário analisar vários fatores em conjunto e não apenas a curvatura visível.
Na Fisio Restelo, cada adolescente é avaliado de forma individualizada, considerando a história clínica, o crescimento, a mobilidade da coluna, os padrões posturais e os exames já realizados.
Sempre que clinicamente indicado, recorremos também a tecnologia 3D sem radiação para análise postural e monitorização da evolução. Esta tecnologia permite acompanhar alterações ao longo do tempo sem recorrer repetidamente a exames com radiação, funcionando como um importante complemento da avaliação clínica.
No final da consulta, os pais compreendem melhor a situação clínica do adolescente e recebem um plano de acompanhamento adaptado às suas necessidades.
Qual o papel da fisioterapia na escoliose?
Quando existe indicação para intervenção, a fisioterapia procura acompanhar o crescimento e reduzir o risco de progressão da curvatura através de programas específicos.
O objetivo não passa apenas por acompanhar a curvatura, mas também por promover uma melhor função da coluna, melhorar o controlo postural e apoiar o adolescente durante as diferentes fases do crescimento.
Na Fisio Restelo, a abordagem baseia-se na melhor evidência científica disponível e inclui métodos reconhecidos internacionalmente, como a técnica SEAS e a técnica Schroth.
Os exercícios são personalizados e adaptados ao padrão específico da curvatura, promovendo:
- autocorreção ativa;
- melhoria do controlo postural;
- maior consciência corporal;
- otimização da função da coluna;
- acompanhamento contínuo durante o crescimento.
Cada plano é ajustado de acordo com a evolução clínica, porque duas colunas com escoliose raramente se comportam da mesma forma.
Porque escolher uma unidade especializada faz diferença?
A escoliose exige uma abordagem diferenciada. Mais do que medir uma curvatura, importa compreender quais os fatores que podem influenciar a sua evolução e decidir o momento certo para intervir.
Na Fisio Restelo, o acompanhamento é desenvolvido por profissionais com experiência específica em coluna e escoliose, recorrendo a avaliação clínica, tecnologia 3D sem radiação e decisões clínicas baseadas na evidência científica.
Este acompanhamento permite monitorizar a evolução de forma rigorosa e adaptar o plano terapêutico sempre que necessário, oferecendo maior segurança aos adolescentes e às suas famílias.
Se identificou alterações posturais no seu filho ou pretende esclarecer dúvidas sobre a evolução da escoliose, uma avaliação especializada permite compreender a situação clínica e definir o acompanhamento mais adequado para cada fase do crescimento.
Perguntas Frequentes
A escoliose em adolescentes provoca sempre dor?
Não. Muitas escolioses são assintomáticas e são identificadas através de alterações posturais ou rastreios.
Quando devo marcar uma avaliação?
Sempre que existam sinais de assimetria, suspeita de progressão ou recomendação do médico assistente.
A fisioterapia evita sempre a cirurgia?
Cada caso é diferente. O objetivo do tratamento conservador é controlar a progressão durante o crescimento, mas a decisão sobre cirurgia depende da evolução da curvatura e é da responsabilidade do médico ortopedista.
O meu filho pode praticar desporto?
Na maioria dos casos, sim. A atividade física continua a ser recomendada, devendo apenas ser adaptada quando necessário.
A tecnologia 3D substitui o raio-X?
Não. É uma ferramenta complementar que permite monitorizar alterações posturais sem radiação repetida, sendo utilizada de acordo com a avaliação clínica.
Escrito por Sandrina Lourenço, fisioterapeuta, fundadora e diretora clínica da FisioRestelo, docente universitária e formadora. Membro português ativo da SOSORT, integra na prática clínica abordagens baseadas em evidência, incluindo Schroth, SEAS e Reeducação Postural Global (RPG). Já acompanhou mais de 2000 utentes, com especial interesse na avaliação e tratamento da escoliose.




